Participei de um processo seletivo que, já no primeiro contato, deixou claro o nível de desorganização da empresa. Fui convidado para uma entrevista sem qualquer informação prévia de que seria uma entrevista coletiva com outros candidatos e múltiplos representantes da empresa. Achei que seria uma conversa individual com o recrutador, o mínimo que qualquer profissional espera.
Ao entrar na chamada de vídeo, o cenário era confuso: pessoas entrando e saindo, uma participante pedindo água, outra dizendo que estava terminando uma reunião anterior, outra ainda não havia chegado. Ninguém se apresentou formalmente, e por alguns minutos não dava para saber quem era da empresa, quem era candidato, ou sequer quem estava conduzindo a entrevista.
Durante as apresentações, ficou evidente o desalinhamento entre as próprias pessoas da liderança. Em determinado momento, falavam de vagas diferentes, sem clareza sobre qual posição estava sendo discutida. Parecia improviso.
Quando questionei sobre o principal desafio da área e o motivo da contratação, a resposta foi genérica: "a gente tá sempre contratando, quer organizar as áreas, amadurecer processos". Sem diagnóstico, sem objetivo claro.
O discurso sobre a cultura também chamou a atenção: ao mesmo tempo em que exaltaram "proximidade", destacaram com orgulho que "a equipe trabalhou o Carnaval inteiro e ninguém reclamou".
O ponto mais grave: a falta de transparência sobre o formato da entrevista demonstra desrespeito com o candidato. O tempo e a preparação de quem busca uma oportunidade não são levados a sério. Fui colocado em um ambiente confuso, sem chance de me preparar adequadamente para o modelo de entrevista.
No geral, essa experiência deixou claro que a empresa ainda tem um longo caminho a percorrer em termos de maturidade em gestão de pessoas e processos seletivos.